sábado, 25 de agosto de 2012

Centenário da descoberta da reação de Maillard

Symposium on the Maillard Reaction, 2012 Nancy, França
Jhon Baynes e Júnia Porto

Pont-a-Mousson...cidade natal de Louis Camille Maillard.

Centenário da descoberta da reação de Maillard, que hoje tem um interesse cada vez maior devido ao seu impacto sobre questões de atratividade de alimentos e saúde em geral.
Economicamente, o impacto da reação de Maillard é crucial para as ciências médicas, bem como para as indústrias alimentar e farmacêutica.
A ainda há muito a ser descoberto sobre a química de produtos de Maillard e seus efeitos
sobre alimentação e saúde.
A combinação de todos estes aspectos irão fazer parte da reunião deste ano do Simpósio Internacional sobre a reação de Maillard nos campos da medicina e aplicações em alimentos.
Nancy, September 16 -20, 2012


Em 1912, Louis Camille Maillard, publicou um grande artigo descrevendo a reação que hoje leva seu nome.

Maillard foi de Lorraine. Ele estudou e ensinou em faculdades de ciências e medicina em Nancy, onde foi nomeado vencedor em várias ocasiões.

É naturalmente a Nancy no Norte / Leste da França, cem anos após a descrição da ação de açúcares sobre as proteínas, que os IMARS associação e da Universidade de Lorraine ofereceu à comunidade científica as últimas pesquisas sobre o tema.

A reação que ocorre no processo de Maillard difere de outros dois processos de escurecimento não enzimático, aquele conhecido como caramelização, em que ocorre a desidratação, condensação e polimerização do carboidrato, e a degradação do ácido ascórbico a ácido dehidroascórbico, ambos levando à formação de polímeros escuros, sem o envolvimento de nitrogênio e, portanto, de proteínas. 
http://www.youtube.com/watch?v=XIfVSMaGSKc

Reacción de Maillard y Pardeamiento en Reacción de Maillard 

Neste ótimo vídeo, pode ser observado a formação da reação de Maillard e de outras reações de escurecimento não enzimático e até do escurecimento enzimático. Está em espanhol, mas são claras as explicações.






quarta-feira, 16 de maio de 2012


http://www.youtube.com/watch?v=JPugW0JIBnA&feature=related Vídeo sobre o MyPlate. Como deve ser nossa alimentação.

Advanced Glycation End Products And How To Get Rid Of Them

http://www.youtube.com/watch?v=8Yz8mnYuGko
Jimmy Smith de http://www.thephysiqueformula.com mostra como derrotar glicação e produtos finais da glicação avançada


A palavra vem de glicação de glicose, ou seja, que este processo tem muito a ver com o açúcar que é ingerido na dieta e absorvido através de alguns alimentos que consumimos e são transformados em açúcar em nossos corpos. Este açúcar é essencial, porque é o que dá energia para nossas células. 

Produtos em Destaque: Interromper a formação de AGEs, evitando rugas, adelgaçamento da pele e secura da pele. Bloqueadores de AGE pode ser encontrado na Farmácia Internacional, em Barcelona. http://www.farmacia-internacional.net/tienda/skinceuticals-interrupter-50ml-p ...

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Glycation, also known as the Maillard reaction, is a chemical reaction resulting from sugars attaching to proteins.


Glicação, também conhecido como a reacção de Maillard, é uma reação química que resulta a partir de compostos carbonilas (ex.: alguns açúcares) ligados a proteínas.

Glicação ocorre em todas as proteínas do corpo.
É especialmente envolvidos na complicações da diabetes e de doenças cardiovasculares.

Na derme, fibras elásticas e de colageno são as estruturas proteína mais afectadas pela glicação, estão envolvidas no enrugamento da pele, por exemplo. Suas cadeias peptídicas são progressivamente rigidificadas pela glicação.

Da mesma maneira, as paredes dos vasos capilares são afetadas pela glicação, provocando uma diminuição da elasticidade vascular e uma alteração na microcirculação.

Os fibroblastos, que estão na origem e na renovação das fibras elásticas do colágeno  também estão sujeitas a glicação, principalmente dentro de proteínas citoplasmáticas.

A glicação das proteínas da derme também altera a atividade da enzima, acelera o processo de oxidação e perturba os mecanismos de reparação de tecidos.

AGEs, produtos finais da glicação avançada, resultantes dessas reações, são muito difíceis de metabolizar. AGEs permanecem presos na célula e provocam a sua morte, em maior ou menor duração de tempo.

Glicação é responsável, direta ou indiretamente, por inúmeros sinais precoces de envelhecimento e complicações de procedimentos dermatológicos, especialmente flacidez da pele, erupções cutâneas, hematomas e edema, problemas de cicatrização de feridas e distúrbios de pigmentação.

A Glicação aumenta de forma linear ao longo da vida, às vezes mais rapidamente em certas pessoas, que compõem uma população de alto risco.

Nacriderm conseguiu isolar extrato de galocatequina de Hamamelis virginiana. Galocatequina inibe reações de glicação, evitando os açúcares de se ligarem a proteínas.

Elas são formulados em diferentes dosagens e associado com ingredientes complementares, com o objetivo de controlar as consequências da glicação da pele.

Como resultado, 83% dos pacientes que usaram Nacriderm como cosméticos, observaram melhoras significativas no estado de sua pele.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Proteína C-Reativa como Marcador Prognóstico Pós-Intervenção Coronária Percutânea

Vol. 14 nº 1 - Março de 2006
Artigo de Revisão Páginas 71 a 75
Proteína C-Reativa como Marcador Prognóstico Pós-Intervenção Coronária Percutânea

Autores: Maria Sanali Paiva1, Itamar Ribeiro de Oliveira1, Ludmilla Almeida da Rocha Ribeiro de Oliveira1, Fredson Roberto S. Mota1, Hugo Diógenes de O. Paiva2
http://www.rbci.org.br/detalhe_artigo.asp?id=97


Descritores: Proteína C-reativa, metabolismo. Inflamação, metabolismo. Valor preditivo dos testes. Angioplastia transluminal percutânea coronária.

RESUMO:
A correlação entre a ciência básica avançada e os achados da pesquisa clínica tem mudado, radicalmente, nossos conceitos sobre a patogênese e o tratamento das complicações clínicas da aterogênese. Atualmente, considera-se a inflamação como fator essencial no desenvolvimento das lesões ateroscleróticas, mudando assim nossos conhecimentos sobre a terapia da aterosclerose. No âmbito da intervenção coronária percutânea, o papel da inflamação no desenvolvimento da reestenose tem sido investigado em vários estudos. Existe uma interação, de fato, entre a ativação do processo inflamatório e a resposta da parede vascular à injúria, levando a uma hiperplasia intimal. Neste artigo, revemos a formação da placa aterosclerótica, o papel da inflamação na reestenose e a participação da proteína C-reativa (PCR) neste processo.

Atualmente, entende-se a aterogênese como uma complexa interação entre fatores de risco, células da parede arterial e componentes do sangue circulante (Figura 1). Quando o endotélio entra em contato com certos produtos bacterianos ou fatores de risco diversos, tais como dislipidemia, hormônios vasoconstrictores, produtos da glicoxidação, hiperglicemia ou citocinas pró-inflamatórias derivadas do excesso de tecido adiposo, há um aumento na expressão de moléculas de adesão, que promovem o encaixe dos leucócitos circulantes na parede arterial1. Essas células são atraídas para os locais onde existe a lesão na parede do vaso, perpetuando a região da inflamação. Para que o processo de entrada (transmigração) de leucócito nos vasos ocorra fazem-se necessárias as seguintes etapas: 1) adesão primária, sendo esta uma etapa transitória e reversível em segundos; 2) adesão secundária, que necessita da ativação das integrinas dos leucócitos; 3) parada do leucócito e 4) sua diapedese, que caracteriza a passagem do leucócito através do endotélio intacto2.




Figura 1 - Eventos iniciais para o desenvolvimento da placa aterosclerótica. A LDL sofre oxidação no espaço subendotelial, desde a LDL minimamente modificada (mmLDL) até a LDL oxidada (oxLDL). Os monócitos aderem-se à célula endotelial induzida a expressar moléculas de adesão por meio da ação da mmLDL e citocinas inflamatórias. Os monócitos no espaço subendotelial diferenciam-se para macrófagos. Estes, com a participação da oxLDL, transformamse em células espumosas. A oxLDL é assim armazenada ou transportada para fora da célula (Adaptado de Glass e Witzum4).



Esse processo de transmigração depende de moléculas de adesão nas células endoteliais e seus receptores na superfície dos leucócitos. Quando a transmigração ocorre no endotélio da parede do vaso, a mais importante molécula de adesão é a molécula de adesão celular vascular-1 (VCAM-1) e o seu receptor, a integrina ?4?1, que participa nas três primeiras etapas da transmigração. Em seguida, a 3ª e 4ª etapas (parada e diapedese dos leucócitos) dependem da molécula de adesão intercelular- 1 (ICAM-1) e de seu receptor, ?L?15. A adesão primária dos leucócitos também se faz com a participação de outra molécula de adesão endotelial, a P-selectina, juntamente com o seu receptor específico no leucócito, a glicoproteína ligante-1 da P-selectina (PSGL-1)3.

Os monócitos, através do fator estimulador de colônia de macrófagos-1 (MCSF-1), são ativados e transformam- se em macrófagos. Estes, ao ingerirem os lipídeos na placa de ateroma, passam a constituir as células espumosas. As células endoteliais e de músculo liso também podem produzir MCSF. As células T produzem mediadores inflamatórios, tais como citocinas, interferon ? e fator de necrose tumoral ? (TNF ?), que por sua vez estimulam os macrófagos e células do músculo liso. Continuamente, esse processo leva à fibrose da íntima e à formação de uma densa matriz extracelular típica de lesões ateroscleróticas1. Entre os muitos fatores de risco, a lipoproteína de baixa densidade oxidada (LDL-oxidada) participa diretamente nessa progressão de monócito até macrófago/células espumosas. Quando em excesso, a LDL pode acumular-se na íntima e sofrer oxidação, glicação (no diabetes), agregação e associação com proteoglicanos. Essas partículas de LDL, ao serem capturadas na artéria, são submetidas à oxidação e, então, à absorção pelos macrófagos. Formam-se, assim, peróxidos lipídicos, levando ao acúmulo de ésteres de colesterol, o que resulta na formação de células espumosas. A retirada e o seqüestro da LDL pelos macrófagos são características importantes no papel protetor dos macrófagos na resposta inflamatória. Entretanto, essa LDL oxidada possui ação quimiotática para outros monócitos, estimulando a sua replicação por meio da entrada de monócitos adicionais na lesão5,6. A maior conseqüência dessa reação inflamatória é a migração de células do músculo liso (CML) da camada média para a íntima do vaso. Essas células proliferam e elaboram uma rica matriz extracelular. Em associação com células endoteliais e monócitos, secretam matriz metaloproteinases (MMPs), em resposta a estímulos oxidativos, hemodinâmicos, inflamatórios e auto-imunes. As MMPs são responsáveis pela ativação, proliferação, migração e morte celular, assim como neoformação vascular, remodelamento geométrico, cicatrização ou destruição de matriz extracelular das artérias e miocárdio. Em associação com a proliferação, a morte celular (apoptose) ocorre igualmente na lesão aterosclerótica estabelecida. A morte dos macrófagos envolvidos na lesão leva ao acúmulo de lipídeos na íntima, formando o clássico núcleo necrótico rico em lipídeos da placa aterosclerótica (Figura 2).







Figura 2 - Progressão da lesão. Interação entre macrófagos/células espumosas, linfócitos Th1 e Th2 estabelece um processo inflamatório crônico. As citocinas secretadas pelos linfócitos e macrófagos exercem ação, tanto pró, como antiaterogênica. As CML migram da porção média da parede arterial, proliferam e secretam matriz extracelular que forma a placa fibrótica (Adaptado de Glass e Witzum4).



RESPOSTA INFLAMATÓRIA APÓS IMPLANTE DE STENT

Estudos em animais e em fragmentos de aterectomia evidenciam que a dilatação por balão provoca na parede do vaso uma desendotelização e o acúmulo de plaquetas e fibrina no local da injúria. Formam-se, então, complexos de plaquetas/plaquetas, plaquetas/leucócitos e leucócitos/endotélio, ligações estas mediadas por moléculas de adesão, tais como a P-selectina, molécula de adesão intercelular-1 (ICAM-1), LFA-1 (?L ?2, CD11a/ CD18), Mac-1 (?M ?2, CD11b/CD18), p150,95 (?M ?2, CD11c/CD18)7 e glicoproteína (GP) Ib que participam diretamente dessas interações, promovendo a adesão das plaquetas com monócitos e neutrófilos e o acúmulo de leucócitos no endotélio, iniciando, assim, o processo de migração após a injúria endotelial8.

A ativação das citocinas incrementa a migração de leucócitos através da camada de plaquetas e de fibrina por meio do tecido. Os fatores de crescimento são liberados de plaquetas, leucócitos e células do músculo liso. Os fibroblastos proliferam, sendo transformados em miofibroblastos, cerca de 3 a 14 dias após a intervenção. A fase seguinte é a de granulação ou proliferação celular, que pode culminar com o desenvolvimento de reestenose (Figura 3). Fatores de crescimento são liberados das plaquetas, leucócitos e CML, que estimulam a migração de CML da média para a neoíntima. A neo-íntima resultante desse processo é composta de CML, matriz extracelular e macrófagos recrutados ao longo de várias semanas. A matriz extracelular é composta de vários subtipos de colágeno e proteoglicanos, que constituem o maior componente da placa reestenótica7. Após o implante do stent, em uma fase inicial, um trombo mural é formado, seguido pela invasão de células do músculo liso, linfócitos T e macrófagos. Após quatro semanas, a estrutura do stent fica recoberta por matriz extracelular, que tende a incrementar-se mais tardiamente; poucas células do músculo liso com linfócitos adjacentes são observadas. A penetração do stent no núcleo lipídico induz a inflamação arterial, associada ao aumento do crescimento neo-intimal.







Figura 3 - Ilustração esquemática da reestenose intra-stent. A: Vaso aterosclerótico antes da intervenção. B: Resultado imediato do implante do stent com desnudação endotelial e depósito de plaquetas e fibrinogênio. C e D: Recrutamento de leucócitos, infiltração, proliferação de células do músculo liso (CML) e recrutamento de monócitos dias após a injúria. E: Espessamento neo-intimal semanas após a injúria, com contínua proliferação de CML e recrutamento de monócitos. F: Alterações tardias (semanas a meses) de uma placa predominantemente celular, para uma menos celular e mais rica em matriz extracelular (Adaptado de Costa e Simon7).



Existem diferenças entre angioplastia por balão e stent quanto à fisiopatologia da hiperplasia intimal, pois, após implante de stent, esta reação é mais proeminente e o acúmulo de macrófago é mais prolongado. Além disso, o processo inflamatório pode não ficar restrito ao local da injúria, estendendo-se para tecidos subjacentes8,9.


PCR COMO MARCADOR PROGNÓSTICO PÓSINTERVENÇÃO CORONÁRIA PERCUTÂNEA

Considera-se que a inflamação tem papel importante no desenvolvimento da reestenose após intervenção coronária percutânea. Em particular, a proteína C-reativa (PCR) ultra-sensível foi validada como reproduzível e de preço acessível. Evidências acumuladas sugerem que a PCR representa um dos mais fortes preditores de doença arterial coronária. De fato, surge como um preditor mais forte que o LDL colesterol, participando diretamente na promoção do processo aterosclerótico e da inflamação das células endoteliais. Tem um vasto espectro de atuação, desde reduzir a sintetase endotelial do óxido nítrico, até estimular a liberação da IL-6, das moléculas de adesão e da proteína quimoatacante de monócito-1 (MCP-1).

Mais recentemente, foi demonstrado que a PCR facilita a apoptose das células endoteliais e inibe a angiogênese, uma vez que inibe as células progenitoras, fato que causa a inibição da angiogênese compensatória nas isquemias crônicas10.

Vários estudos prospectivos têm demonstrado que a PCR é um forte preditor independente de risco para infarto do miocárdio, AVC, doença arterial periférica e óbito por doença vascular11,12, de igual forma para pacientes com quadros de angina instável ou estável13-18. Muitos investigadores preconizam que níveis elevados de PCR pré e pós-intervenção coronária percutânea estão associados a um pior prognóstico e à ocorrência de eventos cardíacos futuros14. Contudo, ainda não há consenso a respeito19,20.

Os níveis deste marcador podem ser diretamente proporcionais ao grau de coronariopatia – isto é, quanto maior a quantidade de vasos envolvidos, maior a elevação21 – ou, ainda, ao grau de complexidade das lesões16, embora não haja um consenso a esse respeito. Sua elevação está relacionada também a fatores como índice de massa corporal, tabagismo22, idade, trigliceridemia, fração de ejeção reduzida, extensão da doença e IAM prévio. Pode também elevar-se nos casos de angina estável23. Biasucci et al.15 demonstraram que pacientes com PCR acima de 0,3mg/dL tinham 8,6 vezes mais chances de recorrência da isquemia do que pacientes sem tal nível de marcador. Além disso, a elevação da PCR nas isquemias agudas (IAM) indica pior prognóstico, independente da troponina13. Após acompanhamento de 1152 pacientes com angina estável submetidos a angioplastia (tratamento completo e agressivo), 25% dos quais diabéticos, observaram uma forte relação entre os níveis iniciais de PCR (apenas dosagem basal, antes da ATC) e o risco de IAM e óbito após 1 ano, além de reestenose após 6 meses. Depois de 6 meses, 6,5% dos pacientes com PCR elevada foram a óbito ou apresentaram IAM não-fatal, contra apenas 3% daqueles com níveis normais. Apenas a idade e o tabagismo estiveram positivamente relacionados aos resultados. Em contrapartida, o diabetes não teve relação na referida análise, não havendo, de fato, consenso quanto a esta situação24.

A obesidade aumenta o nível de PCR, sendo a adiposidade um fator estimulante para a sua produção hepática, podendo estar inicialmente aumentada nos diabéticos24,25. Dados recentes sugerem que pacientes destinados a ter diabetes mellitus do tipo 2 podem ter níveis previamente elevados de PCR e IL-6, precedendo o início da doença24.

A PCR não é somente um marcador de inflamação sistêmica, mas participa diretamente do mecanismo patogênico da aterosclerose26. Em estudo comparativo dos níveis de PCR entre portadores de angina estável e instável, sugere-se que a estabilidade clínica nem sempre indica estabilidade de placa. Elevação da PCR em pacientes estáveis pode significar inflamação permanente na placa ateromatosa. O risco de eventos coronários naqueles com PCR elevada está diretamente associado ao número aumentado de placas vulneráveis, susceptíveis à ruptura26.

À inflamação atribui-se papel fundamental no desenvolvimento da reestenose após angioplastia, estando a maioria dos estudos tentando relacionar a reestenose com níveis de marcadores inflamatórios. Os resultados são discordantes. Buffon et al.27 e Jeong et al.28 encontraram relação entre PCR e reestenose em pacientes com angina estável ou instável, tratados com angioplastia por balão. Na mesma linha de pensamento, Walter et al.29 encontraram relação entre níveis basais de PCR e reestenose após implante de stent. Igualmente, em outro grupo menor de pacientes com angina instável submetidos a implante de stent, níveis de PCR foram preditores de reestenose30. Em contrapartida, estudo envolvendo 216 pacientes com angina estável, submetidos a angioplastia com implante de stent, mostrou níveis basais de PCR já elevados, com curva ascendente após o procedimento e elevação máxima após 24h, retornando aos níveis basais depois de 4 semanas19. Não houve relação entre os níveis de PCR pré-procedimento e reestenose após 6 meses19,20. Da mesma forma, outros autores não encontraram qualquer relação entre PCR e reestenose após angioplastia por balão. Resultados similares foram vistos por Zhou et al.31.

Em estudo recente, Dibra et al.32 analisaram os níveis de PCR antes e após implante de stent em 1800 pacientes consecutivos, tendo-se realizado angiografia de controle, após 6 meses, em 1380 pacientes. Nenhuma relação foi encontrada entre os valores basais de PCR e reestenose angiográfica. Entretanto, a diferença entre os níveis basais e o pico de PCR após a intervenção esteve significativamente relacionada à incidência de reestenose angiográfica. Quanto mais intensa a resposta inflamatória, maior o risco de reestenose. A PCR foi preditora de reestenose independente das características clínicas e angiográficas, tais como complexidade das lesões, angina instável, diabetes e lesões longas32.

Por fim, nosso entendimento da aterosclerose torna evidente o papel central da inflamação em todas as fases do processo aterosclerótico. Estudos clínicos salientam a correlação entre marcadores de inflamação e a propensão ao desenvolvimento de eventos isquêmicos, assim como a sua participação na determinação do prognóstico e estratificação de risco em síndromes coronárias agudas e crônicas. Muitas são as evidências que sugerem a correlação entre o implante de stent coronário e a resposta inflamatória, tanto local como sistêmica, assim como uma possível associação entre os níveis desses marcadores e o desenvolvimento de reestenose. Com essa visão, o estudo da aterosclerose tem iniciado uma importante etapa de relevância clínica, despontando sua aplicação na monitorização da terapia, além de novas metas terapêuticas, sendo imprescindível o total esclarecimento de como e quais marcadores estão de fato envolvidos na aterogênese.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Cientistas descobrem que Alzheimer pode evoluir como uma infecção


http://youtu.be/-4UzEqLDkm0
http://www.youtube.com/watch?v=-4UzEqLDkm0
http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2012/02/cientistas-descobrem-que-alzheimer-pode-evoluir-como-uma-infeccao.html
Edição do dia 02/02/2012
02/02/2012 21h55 - Atualizado em 02/02/2012 21h55


A descoberta desse mecanismo de transmissão pode ser a chave da cura. Pesquisas foram feitas com ratos nas universidades de Harvard e Columbia.
Cientistas americanos descobriram, em pesquisas com ratos, que o Mal de Alzheimer pode evoluir como se fosse uma infecção. A doença se espalha no cérebro.
Há décadas o Mal De Alzheimer desafia cientistas do mundo inteiro. A doença degenerativa ainda não tem cura. Mas o resultado de dois estudos das universidades de Harvard e Columbia deixou pesquisadores surpresos e animados.
Eles já conheciam uma proteína chamada Tau, que existe em uma pequena área responsável pela memória mais recente. Quando apresenta um defeito, a proteína começa a matar os neurônios dessa região do cérebro.
Mas como a Tau aparece em partes onde ela normalmente não existe, atingindo a fala e os movimentos? Esse era o grande mistério.
Os testes foram feitos em ratos, geneticamente modificados, para produzir a proteína na versão humana.
Depois de vários meses, os cientistas encontraram a Tau em outras partes do cérebro. Isto indica que ela se movimenta. Ela viaja de neurônio para neurônio, como se fosse uma infecção causada por uma bactéria, que se espalha até atingir o meio do cérebro, fazendo o Alzheimer evoluir.
A descoberta desse mecanismo de transmissão pode ser a chave da cura, diz a doutora Karen Duff, que participou do estudo. “Agora é possível imaginar um tratamento que quebre esta corrente e interrompa a transmissão da proteína”, diz a cientista.
Os cientistas suspeitam que outras doenças degenerativas do cérebro, como o Mal de Parkison, evoluam da mesma maneira. Apesar representar um grande avanço, eles não arriscam dizer quando vai haver um remédio capaz para a cura ou pelo menos para o controle do Alzheimer.
No Brasil, a Academia de Neurologia estima que, a cada ano, 900 mil pessoas apresentem os sintomas iniciais da doença.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

SEXTA-FEIRA, 3 DE JUNHO DE 2011
http://diabetesunb.blogspot.com/2011/06/ages-produtos-finais-da-glicacao.html

AGE´S - Produtos finais da glicação avançada
Olá pessoal! Enquanto vocês estão na farra nessa sexta à noite, eu estou aqui postando no blog de biobio! Hoje, vou falar sobre os AGE´s(advanced glycation end-procuts, em inglês), um tema pouco conhecido, mas muito importante para a compreensão da clínica da diabetes.

Os AGE´s são produtos formados por interações amino carbonila, de natureza não-enzimática, entre açúcares redutores ou lipídeos oxidados e proteínas, aminofosfolipídeos e ácidos nucléicos.A formação de AGE´s ocorre naturalmente e age sobre moléculas de meia-vida longa, como o colágeno. Um dos melhores indicadores de que a formação de AGE´s pode estar acontecendo em níveis anormais é a hemoglobina glicada, discutida no meu último post. Esses produtos estão relacionados a diversas complicações que ocorrem na diabetes.

Os AGE´s são formados pela ligação de um açúcar redutor ao grupo amino-terminal de um aminácido, como é o caso da hemoglobina glicada. A hemoglobina glicada, uma estrutura instável, é classificada como produto de Amadori. Uma característica desses produtos é a presença de grupos carbonila reativos, que se condensam com grupos aminas primários disponíveis, gerando os produtos da glicação avançada (AGE´s). Existe também uma via alternativa de formação dos AGE´s, que inclui a oxidação de açúcares e lipídeos, gerando compostos dicarbonílicos intermediários altamente reativos. Esses compostos dicarbonílicos reagem com outras substâncias, principalmente, aminoácidos, gerando a formação de AGE´s. Por exemplo, a oxidação da glicose promove a produção de metilglioxal e glioxal, que reagem com aminoácidos para formar AGE´s. (Veja o vídeo abaixo)




Além da formação de AGE´s endógenos, essas substâncias podem ser absorvidas do meio externo, principalmente através do fumo e da dieta. O fumo promove a volatização de substâncias relativas aos AGE´s e sua inalação pelos pulmões. O preparo de alimentos com baixa umidade e altas temperaturas, ou seja, fritos, cozidos ou grelhados, potencializa a formação de AGE´s.

O mecanismo de ação das AGE´s é bastante complexo. Em uma visão geral, pode-se dizer que eles precisam ligar-se a receptores, denominados RAGE´s, que são imunoglobulinas. Os genes promotores desses receptores estão associados ao fator nuclear kB( NF-kB). Esse fator nuclear está presente no citoplasma ligado a um inibidor, o IkB. Para ser liberado e translocado para o núcleo, é necessário que ocorra a fosforilação e degradação do seu inibidor. O sinal para que isso ocorra é a associação dos AGE´s com os RAGE´s. No núcleo, é realizada a transcrição do NF-kB, o que promove um aumento da expressão de seus genes alvo. Esses genes alvo codificam endotelina-1(substância vasoconstritora), VEGF( fator de crescimento do endotélio vascular) e citocinas pró-inflamatórias. O RAGE é altamente ativo em células endoteliais, macrófagos, monócitos e células musculares lisas, sob condições de aumento de AGE.

Os AGE´s estão diretamente relacionados às complicações diabéticas. As complicações vasculares devem-se a produção de endotelina-1, uma substância vasoconstritora e da inibição do óxido nítrico e da prostaciclina, substâncias vasodilatadoras. Além disso, eles promovem a oxidação das lipoproteínas de baixa densidade (LDL), que se acumulam na parede dos vasos, atraindo macrófagos, que obstruem os vasos. Esses fatores relacionam-se principalmente à hipertensão e a arterosclerose.

Os AGE´s, associados ao seu receptor, também promovem a síntese do fator de crescimento do endotélio vascular, que estimula a neovascularização e a angiogênse, fatores relacionados a retinopatia diabética. A nefropatia diabética, por sua vez, ocorre devido ao estímulo a produção do fator de crescimento beta (TNF beta), responsável pelo aumento da síntese de colágeno, que contribui, em parte, para o espessamento da membrana basal. Esse espessamento da membrana basal promove uma compressão nos capilares e diminui a área em que ocorre a filtração do sangue, prejudicando essa função exercida pelo rim. O espessamento da membrana basal deve-se também às células mesangiais, que estão aderidas aos capilares dos glomérulos renais e possuem receptores para os AGE´s. A associação dos AGE´s com esses receptores promove um aumento na síntese de colágeno tipo IV e de proteínas da matriz. (Veja o vídeo abaixo)



Os diabéticos apresentam dificuldade de cicatrização, uma vez esta depende da deposição de uma parte da matriz extracelular para o fechamento da ferida. O complexo AGE-RAGE estimula a síntese de fator de crescimento alfa (TNF alfa) e metaloproteinases, que degradam a matriz e limitam o fechamento da ferida. A neuropatia diabética, outra complicação da diabetes, deve-se principalmente a desmielinização dos nervos. A alta taxa de glicose no sangue favorece a formação da mielina glicada, que é mais suscetível a ação de macrófagos, que podem ser estimulados a secretar proteases, o que provoca a desmielinização do nervo. A desmielinização do nervo é também conseqüência da associação da mielina aos AGE´s, que podem se ligar a outras proteínas, como alguns tipos de imunoglobulinas, gerando uma reação autoimone, que provoca a desmielinização do nervo. Além disso, a neuropatia diabética pode estar associada ao espessamento dos vasos sanguíneos provocado pelos AGE´s.

Percebe-se, então, a abrangência de ações dos AGE´s no nosso organismo e os riscos que eles trazem para os diabéticos. Por isso, estão sendo procurados tratamentos para esses produtos, que consistem em impedir a formação dos produtos de Amari, detoxificação de intermediários dicarbonílicos, diminuição de absorção dos AGE´s, entre outros métodos. É uma área extremamente promissora para tentar encontrar melhores soluções para as complicações causadas pela diabetes.

Referências Bibliográficas:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302008000600005
http://www.scielo.br/pdf/rbp/v22n1/v22n1a08.pdf
http://www.phoenixpeptide.com/catalog/pnxfoget.php?id=pnxnews_000000366&title=Compound&sum=Function