quinta-feira, 23 de setembro de 2010

22- AGEs dietéticos - absorção

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2898551/
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1807-59322010000600012&lng=en&nrm=iso&tlng=en
Jean Robert Rapin e Nicolas Wiernsperger. Possible Links between Intestinal Permeablity and Food Processing: A Potential Therapeutic Niche for Glutamine. Clinics (Sao Paulo). 2010 June; 65(6): 635–643.     I Faculty of Pharmacy, University of Burgundy – Dijon, France; II INSERM – Villeurbanne, France; III Association REMEDES – Orlienas, France
Tel : 33 4723-10579 Email: jeanrobert.rapin@gmail.com
Normalmente, os AGEs dietéticos atravessam lentamente a parede intestinal; o transporte de AGEs através do epitélio intestinal é baixo e ocorre através de simples difusão. A taxa de absorção de produtos glicosilados são variáveis. A pirrolina e a pentosidina  parecem ser bem absorvidos. Se a função renal está comprometida, limita a excreção urinária de AGEs. Estes resultados variáveis podem ser devido à capacidade das células do epitélio intestinal para degradar estes compostos diferentes. No entanto, deve ser observado que os dados existem apenas para alguns AGEs mensuráveis selecionados,  enquanto uma enorme quantidade de AGEs diferentes existem devido à permanente recombinação entre os AGEs. Por conseguinte, a real quantidade de AGEs absorvidos pode ultrapassar os valores obtidos até agora. 

O conteúdo de carboxymethyllysine é significativamente maior nas fórmulas infantis do que no leite materno.
Alimentos com muita gordura têm o maior teor de AGEs, mais do que farinhas de carne e ricas em carboidratos. Isso também depende do método de cozimento, porque grelhar, fritar gera compostos glicados mais que o assar, e menos que no cozido com água em ebulição.

Assim, o método mais seguro de cozinhar parece ser a lenta ebulição, em temperaturas razoáveis.
Metilglioxal, um forte agente glicante, também está presente em muitos bebidas, tais como, chá, café, coca-cola light e molho de soja têm um teor de AGEs alto. 
Em pacientes diabéticos, a absorção de frutose é aumentada pela hiperglicemia vigente. Além disso, a função renal é frequentemente comprometido nesses pacientes, o que sugere que os AGEs dietéticos adicionados aos sintetizados endogenamente pelos níveis de glicose elevada. 
Quando AGEs dietéticos da caseína forma um complexo com a albumina, o receptor para AGE (RAGE) é estimulado e induz inflamação. 
RAGE é expresso no epitélio intestinal e aumenta quando interferon γ e TNF-α estão elevados.
O recente reconhecimento de que os AGEs dietéticos são absorvidos e o fato de que o consumo de AGE está constantemente a aumentar na dieta ocidentalizada levaram investigações sobre possíveis relações causais entre os AGEs e observaram distúrbios metabólicos. 
Recentemente, um Estudo brasileiro revelou que a alta ingestão de frutose dietética foi associada com intolerância a glicose .
Uma razão para o debate é que a frutose é mais reativa do que a glicose na formação de AGE, entretanto concentrações sanguíneas de frutose são baixas. Quando os ratos são alimentados com uma dieta rica em frutose, o AGE pentosidina acumula na aorta e na pele. Da mesma forma, a comparação dos diferentes açúcares em ratos mostraram que o estresse oxidativo e a glicação ocorreram preferencialmente nos animais alimentados com frutose.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

21-Ligação cruzada de proteínas

Várias proteínas alimentares contêm tanto ligações cruzadas intra e intermoleculares, como pontes dissulfeto em proteínas globulares, desmosina e isodesmosina, como ligações cruzadas dos tipos di e tritirosina em proteínas fibrosas tais como queratina, elastina, resilina e colágeno.
O colágeno também contem ligação cruzada ε-N-(γ-glutamil)lisil e/ou ε-N-(γ-aspartil)lisil. Uma das funções dessas ligações cruzadas em proteínas naturais é minimizar a proteolíse in vivo. O processamento de proteínas alimentares, especialmente em pH alcalino, também induz a formação de ligação cruzada. As ligações covalentes não naturais entre as cadeias polipeptídicas reduzem a digestibilidadee a biodisponibilidade dos aminoácidos essencias que estão envolvidos na ligação cruzada ou próximos a ela.

domingo, 19 de setembro de 2010

20-Efeito de dietas com alto e baixo teor de AGEs


Peppa et al.. Advanced glycoxidation products and impaired diabetic
wound healing. Wound Rep Reg (2009) 17 461–472

19 - Formação de Lisinoalanina



Lisinoalanina (LAL) é um subproduto indesejado, que é formado durante o processamento de proteína de rações e alimentos protéicos, representa perda de aminoácidos envolvidos na reação, com consequente perda de valor biológico da proteina.

Lisinoalanina [LAL, Ne-(R, S-2-amino-2 carboxietil)-Slysine] tem sido utilizado como um marcador de dano térmico nos alimentos.

O mecanismo de formação desta ligação cruzada entre aminoácidos ocorre em duas etapas principais.

O primeiro passo consiste na formação de resíduo dehidroalanina da b eliminação da cistina, serina, ou seus derivados, seguido por uma segunda reação, envolvendo a ligação dupla de dehydroalanine com cadeia lateral nucleofílica de outro aminoácido, como o e-grupo amino de [lisina 1, 2].

A formação de LAL ao longo da cadeia de proteína podem afetar as propriedades nutricionais e biológicas do proteínas tratadas.
A formação de LAL provoca uma diminuição dos aminoácidos essenciais envolvidos e uma redução da digestibilidade da proteína, da qualidade da proteína, da biodisponibilidade e da utilização de minerais, além de outros efeitos toxicológicos, são algumas das consequências negativas derivados de geração LAL [1, 2].
O pH alcalino, alta temperatura e longo tempo de exposição favorecem essas transformações.

Tratamentos térmicos em pH básicos são bastante comuns na indústria de alimentos. Portanto, LAL pode ser encontrada em alimentos de grande consumo, tais como, alimentos para bebés, produtos de cereais, carne de frango, produtos de ovos, gelatina, fórmulas infantis, produtos de carne, caseína, proteína isolada de soja, líquido leite, leite em pó e queijo, entre outros [1, 3-16].
Grande preocupação surge com a detecção de LAL em especial alimentos, tais como fórmulas de nutrição enteral, onde o qualidade da proteína usada em sua formulação é particularmente relevante, uma vez que estes alimentos podem ser o único nutriente fonte para os pacientes durante longos períodos de tempo.

18-

17- Pool endógeno de AGEs

O pool endógeno de AGEs reflete basicamente o balanço cinético de dois processos opostos:
-a taxa de formação/ingestão de AGEs e 
-a taxa de degradação/eliminação destes produtos
por sistemas especializados. 
Além disso, fatores genéticos podem influenciar os níveis de AGEs nos indivíduos e, conseqüentemente, a predisposição para o desenvolvimento de outras doenças relacionadas a estes compostos, além do diabetes,
tais como a aterosclerose, a artrite, a osteoporose e o mal de Alzheimer.
O organismo possui defesas naturais responsáveis pela remoção e eliminação dessas glicotoxinas. 
Os AGEs formados nos componentes teciduais, por exemplo, são degradados a partir da proteólise extracelular ou por células scavenger, como os macrófagos teciduais, que endocitam AGEs via receptores (específicos ou não) e, posteriormente, os liberam como AGE-peptídeos pequenos e solúveis para serem excretados pelos rins. 
A lisozima é, atualmente, alvo de intensa investigação por suas propriedades anti-AGEs, que incluem o aumento do turnover de AGEs efetuado pelos macrófagos, a supressão de eventos proinflamatórios mediados por estas substâncias e o aumento do seu clearance renal.
A taxa de formação de AGEs pode exceder a capacidade do organismo em degradá-los e, ao longo do tempo, mesmo modestas hiperglicemias podem resultar em significativo acúmulo de AGEs, especialmente em macromoléculas de meia-vida longa, como o colágeno.
Isto pode ser bem ilustrado pela progressiva modificação pós-translacional das lentes do cristalino causada por AGEs, levando à formação de catarata, durante o processo de envelhecimento ou, de maneira acelerada, no próprio diabetes.
Na presença de hiperglicemia, as reações de glicação ocorrem mais rápida e intensivamente, comprometendo, inclusive, o metabolismo de moléculas de meia-vida curta, como proteínas e lipídios plasmáticos.
Os níveis da ApoB-AGE, por exemplo, são, aproximadamente, quatro vezes mais altos em indivíduos diabéticos. A glicação da ApoB, componente da lipoproteína de baixa densidade (LDL), contribui ativamente para a aterosclerose, pela redução do clearance da LDL e da deposição da LDL-AGE na parede vascular. Os AGEs também podem ser introduzidos no organismo pela dieta, possivelmente em quantidades que excedem a formação endógena.
BARBOSA, Júnia Helena Porto, OLIVEIRA, Suzana Lima de, SEARA, L. T. e. Produtos da glicação avançada (AGEs) dietéticos e as complicações do diabetes. Rev. Nutr., Campinas, 22(1):113-124, jan./fev., 2009.
www.scielo.br/pdf/rn/v22n1/11.pdf

16- Mecanismo de atuação dos AGEs

Os efeitos patológicos dos AGEs estão relacionados à capacidade destes compostos de modificar as propriedades químicas e funcionais das mais diversas estruturas biológicas. 
A partir da geração de radicais livres, da formação de ligações cruzadas com proteínas ou de interações com receptores celulares, os AGEs promovem, respectivamente, estresse oxidativo, alterações morfofuncionais e aumento da expressão de mediadores inflamatórios, tais como TNF-a, IL-6, e IL-1b.
Os produtos de glicação avançada podem danificar as células por meio de três mecanismos básicos. O primeiro consiste na modificação de estruturas intracelulares, incluindo aquelas envolvidas com a transcrição gênica.
O segundo mecanismo envolve a interação de AGEs com proteínas da matriz extracelular, modificando a sinalização entre as moléculas da matriz e a célula, gerando uma disfunção.
O terceiro mecanismo, por fim, refere-se à modificação de proteínas ou lipídeos sanguíneos. As proteínas e os lipídios circulantes modificados podem, então, se ligar a receptores específicos, promovendo a produção de citocinas inflamatórias e de fatores de crescimento, os quais, por sua vez, contribuem para a doença vascular.
BARBOSA, Júnia Helena Porto, OLIVEIRA, Suzana Lima de, SEARA, L. T. e. Produtos da glicação avançada (AGEs) dietéticos e as complicações do diabetes. Rev. Nutr., Campinas, 22(1):113-124, jan./fev., 2009.
www.scielo.br/pdf/rn/v22n1/11.pdf